Uma paisagem quase deserta — dois prédios ao fundo e algumas árvores — foi suficiente para um internauta identificar, com precisão, o ponto onde estava a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP, que estava foragida, em junho de 2025.
Ao longo de dezembro, o g1 revisita as histórias mais malucas – e reais – publicadas em 2025. Veja o vídeo acima, leia o texto abaixo e explore outras reportagens no mapa ao final desta página.
GIF Retrospectiva – Bombou no g1: Como youtuber descobriu localização de Zambelli, foragida nos EUA, a partir de vídeo — Foto: Editoria de arte do g1
No dia seguinte, o criador de conteúdo carioca João Paschoal — conhecido como Geo Pasch — divulgou coordenadas apontando que o vídeo havia sido registrado no estacionamento de uma loja em Fort Lauderdale, na Flórida. A assessoria da deputada, então, confirmou que ela estava no local nos EUA.
Paschoal é conhecido por transmissões ao vivo de GeoGuessr, um jogo que desafia os participantes a identificar locais ao redor do mundo apenas com imagens de ruas. Ao g1, ele explicou que aplicou ao vídeo de Zambelli o mesmo método usado nas partidas.
Publicação do Geo Pasch — Foto: Reprodução/X
Alguns dos elementos que o ajudaram a restringir a busca foram:
- a placa de um veículo ao fundo, compatível com padrões dos Estados Unidos;
- a presença de palmeiras, indicando uma cidade costeira na região de Miami;
- o formato dos prédios — um com grandes sacadas e outro com estrutura semelhante à letra “K”.
Como o vídeo havia sido publicado espelhado, o youtuber precisou inverter a gravação para as referências arquitetônicas ficarem visíveis corretamente. A partir daí, percorreu virtualmente a costa da Flórida usando imagens do Google Earth até encontrar os edifícios exibidos.
O processo levou cerca de duas horas e resultou em uma publicação no X que superou 2,5 milhões de visualizações. Paschoal afirmou, na época, que não se tratava de um dos casos mais complexos, apesar da escassez de pistas aparentes.
No mesmo período, o ministro Alexandre de Moraes determinou sua prisão preventiva, bloqueou os passaportes, ordenou a inclusão do nome na lista vermelha da Interpol e o bloqueio de salários e perfis em redes sociais — medida que, segundo a decisão, respondia ao risco de fuga e à necessidade de garantir a aplicação da lei penal.
Zambelli afirmou que buscaria tratamento médico e se afastaria do mandato. Em nota na época, classificou a ordem de prisão como “ilegal, inconstitucional e autoritária”.
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Local na Flórida em que Carla Zambelli gravou vídeo — Foto: Reprodução/Google



