Os candidatos tiveram 5 horas para responder 24 questões de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, Ciências da Natureza e suas tecnologias, além de Matemática e suas tecnologias. Na segunda, serão 12 questões sobre Linguagens e suas tecnologias e uma redação.
Em humanas, apareceram temas como o conflito entre Índia e Paquistão pelo controle de recursos hídricos na Caxemira; uma charge sobre voto de cabresto, ativismo ambiental de Chico Mendes e demarcação indígena, e um mapa da América Latina invertido, associado ao contexto geopolítico da Segunda Guerra Mundial.
Já nas áreas de exatas e biológicas, estudantes relataram perguntas envolvendo cálculo de mol (Química), porcentagem e juros do setor financeiro (Matemática) e cadeia alimentar (Biologia). Em Filosofia, Kant e Platão foram os principais referenciais cobrados, enquanto História abordou elementos do Brasil Colônia e da Independência.
Entre expectativas, incertezas e apontamentos sobre lacunas na formação escolar, os candidatos concordam que a diversidade de conteúdos marcou o primeiro dia da segunda fase. A aposta agora é no desempenho nas áreas de Linguagens e Redação para equilibrar o resultado final na segunda-feira (8).
O diretor do cursinho Oficina do Estudante afirmou que a prova, no geral, cobrou do candidato conhecimento prévio, e o aluno tinha que ter base teórica. “As questões exigiam que os candidatos soubessem algo da matéria, do conteúdo, para ser aplicado na prova e dialogar com as questões. Questões que exigiam do candidato, uma leitura atenta, alguns itens A e B com vários comandos dentro do mesmo item, o que elevava o tempo para se fazer a questão. No geral, uma prova típica ao Unesp, do jeito que o Unesp tem cobrado nos últimos anos”, afirmou. (veja abaixo opiniões de professores por área).
Veja alguns temas abordados na prova:
Chico Mendes, conflito na caxemira e relevo brasileiro estão entre os temas da segunda fase da Unesp 2026 — Foto: Reprodução, Mukesh Gupta/Reuters e Reprodução
- Revolução Industrial inglesa – condições de trabalho e erosão de padrões de vida.
- Transformações econômicas no Brasil (1808–1822) – chegada da Corte portuguesa e impactos na independência.
- Charge política de 1946 – reforma da lei eleitoral e contexto político pós‑Estado Novo.
- Arte latino-americana (Torres-García, 1943) – Escola do Sul e significados da América Latina.
- Conflito Índia–Paquistão – origem histórica, disputa religiosa e questão hídrica na Caxemira.
- Déficit habitacional no Brasil – políticas públicas e regularização fundiária.
- Relevo brasileiro (Planalto da Borborema) – definição de planalto e efeitos orográficos no clima.
- Chico Mendes – luta dos seringueiros, defesa ambiental e criação das reservas extrativistas.
- Definição de filosofia – diversidade de conteúdos e atitude filosófica.
- Democracia e política – Platão (sofocracia) e Byung-Chul Han (infocracia digital).
- Ética kantiana – imperativo categórico versus imperativo hipotético.
- Epistemologia moderna – empirismo de John Locke e oposição ao inatismo.
- Processo Haber-Bosch – produção de fertilizantes nitrogenados e impactos ecológicos.
- Fototropismo em plantas – ação do hormônio AIA e efeito da luz unilateral.
- Envelhecimento ovariano – fatores críticos, aneuploidia e síndrome de Down.
- Química do alumínio – reações da bauxita, sulfato de alumínio e eletrólise ígnea.
- Gasogênio na Segunda Guerra Mundial – produção de “gás de água” e equilíbrio químico.
- Ibuprofeno – função orgânica, fórmula molecular e titulação com NaOH.
O que os estudantes acharam da prova
Para muitos candidatos, o nível de dificuldade variou conforme a formação escolar. Beatriz Rosa Azevedo, 17 anos, aluna de escola estadual e candidata a Psicologia em Bauru, disse ter sentido o impacto da falta de disciplinas como Filosofia e Geografia em sua grade curricular.
“Achei bem difícil, porque não fiz cursinho e algumas matérias eu não tive aula. Matemática, física e química deu para responder mais tranquilo, mas filosofia e geografia foram complicadas”, afirmou.
Sobre História, contou que conseguiu se apoiar na interpretação dos textos, mas reconheceu dificuldade ao se deparar com itens sobre economia do Brasil Colônia e pós-Independência. Apesar da primeira prova, mantém boas expectativas para o segundo dia e aposta em um tema de redação ligado a redes sociais ou internet.
A candidata Rebeca Fornazari Lastori, 18 anos, que presta Direito em Franca, avaliou que a parte de humanas estava “bem tranquila”, mas encontrou maior obstáculo nas questões de exatas.
“Eu tive que inventar algumas respostas porque não sabia. Química caiu bastante, principalmente orgânica, e biologia trouxe cadeia alimentar”, relatou.
Candidatos avaliaram a prova da 2ª fase da Unesp Araraquara — Foto: Douglas Braz/g1
Para ela, a esperança está no segundo dia, quando aparecem Linguagens e Redação, área em que diz ter mais domínio. Ainda assim, afirma não conseguir prever o tema deste ano.
Já Gabriel Henrique de Oliveira, 18 anos, candidato a Relações Internacionais na Unesp Franca, destacou que o início da prova parecia mais acessível, mas o nível aumentou na parte de exatas.
Ele também mencionou a presença marcante de conteúdos filosóficos: “Falou bastante sobre Kant e outros pensadores”.
O estudante admitiu que não estudou tanto quanto planejava, devido ao acúmulo de provas ao longo do ano, o que acabou elevando a sensação de dificuldade.
Destaques
Já para os amigos Maria Clara Libório, 17 anos, candidata a medicina veterinária em Jaboticabal, e Bruno Rossini, 25, que presta Letras, duas questões da prova se destacaram.
A primeira tratava do ativismo ambiental de Chico Mendes, relacionando sua atuação com a demarcação de terras indígenas e episódios de violência no campo.
A segunda, de filosofia e sociologia, fazia referência a “A República”, de Platão, e abordava debates sobre democracia e redes sociais, especialmente a postura acrítica que, segundo o enunciado, pode levar à alienação, à idolatria de líderes e à transformação da população em massa de manobra.
Veja o que disseram professores do Oficina do Estudante sobre o 1º dia da 2ª fase da Unesp:
Gabriel Gamberini, professor de física:
“Tivemos, no primeiro dia da prova da Unep, a questão 19 trazendo no item A, energia mecânica, uma questão bem tranquila, e o item B, resultante sem tripla, também bem tranquila. A questão 20 cobrou do candidato espelho plano, puxando ali para a ótica geométrica, talvez com alguma relação de triângulos para resolver. E, na questão 21, vimos uma questão de potência elétrica, que envolve a segunda Lei de Ohm. Então, foi uma prova um pouco mais puxada para aplicação de fórmula, mais direta: praticamente aplicar a fórmula e calcular o resultado”.
Victor Rysovas, professor de história:
“A prova foi bastante equilibrada, com uma questão de história geral, duas questões de história do Brasil, uma questão de contexto de América Latina. São temas interessantes, falando de trabalho, como é sempre esperado, falando de voto, participação política, que também é um tema clássico: falar das constituições, a participação política.
E eu acho que outra coisa interessante de dizer é que a Unesp usou um mapa que normalmente se trabalha na geografia para contextualizar o momento de produção do mapa, então isso é interessante. Trouxe uma questão de Brasil, começo do século 19, também é um tema interessante. Revolução Industrial, Brasil no século 19, com texto de produção de um mapa na década de 1940. Essa é uma pergunta um pouco menos previsível, mas também interessante. E depois, a questão do voto. Então, uma prova equilibrada, não é uma prova trivial: exige atenção, tem interpretação de charge, tem interpretação de texto. Então, uma prova bastante bonita, bastante equilibrada, que a gente tem na prova de história”.
Sebastian Fuentes, professor de geografia:
“Quatro questões de geografia, bem atualizada, não tão bem distribuída, teve uma questão de geografia geral e três de geografia do Brasil. A questão mais complexa foi a questão 7, que era uma questão muito específica de geologia, então que os órgãos precisariam, de fato, lembrar sobre determinado tema. Ao mesmo tempo, a prova abordou temas em que era possível o aluno poder dialogar com muitas discussões atuais, por exemplo, a questão fundiária dentro da parte urbana, ao mesmo tempo sobre conflitos envolvendo a Índia e o Paquistão, e por último, um tema bem interessante, pediu para o aluno relembrar sobre a questão do Chico Mendes e tudo relacionado ao Chico Mendes”.
Fábio Vilar de Menezes, professor de biologia:
“A Unesp foi muito feliz na elaboração da prova da 2 fase de seu vestibular 2026. Vários temas da biologia foram contemplados: ecologia, com entrofização e ciclo do nitrogênio; biologia molecular, com ácidos nucleicos; fisiologia vegetal, com auxinas; citologia e ciclo menstrual. Portanto, dentro das 3 questões propostas para a biologia, trouxe uma boa abrangência, além de excelente coerência com os tópicos certamente estudados pelos candidatos.”
Silvio Sawaya, professor de humanidades:
“A prova de Humanidades da Unesp foi bem tranquila. Foram quatro questões ligadas ao que foi estudado durante o ano. Ela pedia alguns conceitos estudados, então não estava tudo no texto: era necessário que o candidato tivesse domínio sobre a matéria. Caiu uma questão sobre filosofia e atitude filosófica; uma sobre democracia, ligando a democracia grega antiga com Platão e a democracia, hoje, ligada aos meios digitais e ao consumo; uma questão sobre epistemologia do John Locke; e uma de ética do Kant.
São questões em que o candidato tinha que utilizar o texto, mas, ao mesmo tempo, inserir os conceitos e mostrar que tinha domínio sobre o assunto. A questão mais difícil foi a questão sobre a democracia. Para nós aqui, a da democracia de Platão e a democracia hoje, essa comparação, exigia dos alunos um pouco mais de domínio daquilo que eles aprenderam em filosofia”.
Carlos André de Aguiar Vitorino, professor de química:
“A prova de Química veio dentro do esperado, é uma prova tranquila de fazer. É um pouco extensa em relação à quantidade de coisas que devem ser respondidas, porque, embora sejam três questões, o item A e o item B, cada um tem três ou duas coisas a serem respondidas. As coisas não são de aprofundamento elevado.
A prova teve uma gama grande de conteúdos a serem explorados: falou desde distribuição eletrônica, tratamento de água, reações inorgânicas, eletrólitos… como são muitos itens a serem respondidos, a banca acaba abrangendo uma quantidade muito grande de conteúdos. Mas, de novo, nada que o estudante não seja preparado para fazer”.
Rodrigo do Carmo Silva, professor de matemática:
“Tivemos uma prova com nível de dificuldade de médio para difícil, mas que manteve a similaridade com os anos anteriores. Tivemos questões cobrando: uma questão de geometria espacial envolvendo tronco de pirâmides e cubos; uma questão envolvendo porcentagem e juros compostos, com ênfase no item B, que trabalha poder de compra (ganho ou perda real frente à inflação); e uma questão envolvendo análise combinatória, com os agrupamentos formados em cadeados codificados”.


