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    Turismo

    'Colônia do Brasil?': Como influência brasileira gera tensão em Portugal

    adminDe admin27 de maio de 2025Nenhum comentário15 minutos lidos
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    O perfil Resistência Lusitana no X (antigo Twitter) compartilha com frequência informações sobre imigração e criminalidade, além de atualizações sobre o partido Chega e seu líder, André Ventura.

    Na postagem sobre o método de pagamento direcionado aos imigrantes brasileiros, alguns comentários refletem a mesma preocupação dos moderadores da página: “A brasileirização é a maior ameaça à sobrevivência da identidade portuguesa”, diz um. “Queríamos o contrário, a relusitanização do Brasil”, afirma outro.

    Mas a maioria das interações vem de brasileiros, que brincam com a ideia de que a influência sobre o ex-conquistador cresceu tanto, que Portugal passa por um processo de “recolonização”.

    Nas redes sociais, portugueses reagiram aos memes — Foto: Reprodução/ TikTok

    “Super normal que mercados na Guiana Brasileira aceite receber com os métodos de pagamentos brasileiros, não?”, escreve um. “Reparação histórica” e “Quando vcs trouxeram espelhos, álcool e miçangas em 1500, pra usar no BR como dinheiro, tava bom né. N adianta reclamar”, dizem outros.

    Os comentários fazem referência a memes que circulam nas redes sociais e que dão tom cômico à rixa entre brasileiros e portugueses, atrelada principalmente ao período da colonização.

    Os memes que apelidam Portugal de “Guiana Brasileira” — e outros nomes criativos como “Pernambuco em pé” e “Faixa de Gajos”, para insinuar que o país lusitano é uma nova extensão do Brasil — começaram a circular nas redes sociais nas últimas semanas após o time de futebol feminino do Barcelona utilizar uma expressão típica do Brasil em uma postagem sobre a contratação de uma jogadora portuguesa.

    Usuários lusitanos — mais uma vez — reclamaram do “brasileirismo” e acusaram o time de falta de empenho ao utilizarem frases que não fazem parte do cotidiano de Portugal. E a reclamação logo chegou até os brasileiros, que resolveram tomar a piada para si.

    E apesar de muitos verem as postagens com humor, alguns portugueses se sentiram provocados e ofendidos.

    • A rápida ascensão do Chega, partido de direita e anti-imigração que empatou com a esquerda em Portugal
    • O peso dos brasileiros na eleição de Portugal
    • O português de Portugal está ficando mais brasileiro? As expressões ouvidas com cada vez mais frequência no país

    O movimento nas redes sociais, assim como o episódio envolvendo a adoção do Pix pelo supermercado em Braga, são sintomas de uma realidade percebida com cada vez mais nitidez por imigrantes em Portugal — mas também rejeitada por alguns portugueses —, que é a influência das expressões culturais brasileiras.

    “Há uma comunidade crescente de brasileiros em Portugal e uma população tão grande faz-se notar, ainda mais porque a cultura brasileira não é propriamente silenciosa, mas sim exuberante”, avalia Pedro Góis, professor da Universidade de Coimbra.

    Ao todo, mais de 510 mil brasileiros vivem em Portugal atualmente, segundo o Ministério das Relações Exteriores do Brasil.

    Segundo o especialista em sociologia etnicidade e da identidade ouvido pela BBC News Brasil, a onda migratória atual, diferentemente dos fluxos anteriores, engloba migrantes de todas as classes sociais da sociedade brasileira — tornando sua influência maior e mais perceptível.

    “Abriram-se muitos negócios brasileiros e há maior contágio da cultura brasileira por meio da música, da dança e da própria língua que chega com muita força através das redes sociais.”

    ‘Brasileiro’ e Carnaval nas ruas

    A rede de supermercados Continente confirmou à BBC News Brasil que está oferecendo aos seus clientes a possibilidade de utilizarem o Pix para pagar suas compras como parte de um projeto-piloto em 6 lojas na região de Braga.

    A cidade no extremo norte de Portugal, aliás, é descrita por muitos como um reduto de imigrantes brasileiros no país.

    A concentração é tamanha — são cerca de 15 mil imigrantes brasileiros, ou 8% da população local — que a cidade já é apelidada de Braguil (Braga + Brasil) e seus moradores sul-americanos de bragaleiros.

    Segundo a rede Continente, o objetivo ao disponibilizar o Pix em suas lojas é “melhorar a experiência de compra” de todos os seus clientes.

    Para atrair a comunidade brasileira, outros comércios no país também tem adotado o sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central do Brasil, como a loja de departamento El Corte Inglés, a rede de eletroeletrônicos Worten e estabelecimentos menores.

    🚨 🇧🇷 | Na região de Braga, supermercado Continente aceita pagamentos com pix do Brasil.

    A brasileirização de Portugal é preocupante. pic.twitter.com/FMPUYj2LzX
    — Resistência Lusitana (@resist_lusitana) May 10, 2025

    Para além disso, são inúmeras as lojas e supermercados que passaram a vender produtos importados diretamente do outro lado do Atlântico — de alimentos típicos a produtos de beleza. Isso sem contar os muitos restaurantes dedicados à culinária brasileira, alguns até comandados por chefs portugueses.

    “Não preciso procurar muito para encontrar um pastel ou uma coxinha quando tenho vontade”, diz Matheus Morais da Silva, de 30 anos. Natural de Mogi das Cruzes, São Paulo, ele mora há pouco mais de 2 anos em Águeda, um município de 14 mil habitantes nos arredores de Aveiro.

    E ainda que a população brasileira na pequena cidade seja restrita quando comparada às de outras regiões, Silva diz ouvir o ‘brasileiro’ todos os dias na fábrica onde trabalha.

    “São tantos funcionários brasileiros que até os chefes, portugueses, estão se adaptando e usando expressões e gírias brasileiras para se integrar mais com a gente”, diz. “Nos cumprimentam com ‘Beleza, cara’ ou perguntam se ouvimos a última música da Anitta.”

    Matheus Silva diz ouvir o ‘brasileiro’ todos os dias na fábrica onde trabalha em Portugal — Foto: ARQUIVO PESSOAL

    ‘Grama’, ‘geladeira’, ‘dica’ e muitas outras palavras e expressões ‘brasileiras’ também têm se tornado cada vez mais comuns no vocabulário dos portugueses, segundo linguistas e estudiosos do tema.

    Elas são usadas principalmente por crianças e adolescentes, que seguem com assiduidade influencers e youtubers do Brasil nas redes sociais. Mas mesmo a população mais velha também tem aderido aos brasileirismos.

    Em Lisboa, que abriga a maior comunidade brasileira na Europa, segundo o Itamaraty, o ‘brasileiro’ está por toda parte.

    A capital portuguesa também recebe todos os anos um dos maiores carnavais fora do Brasil. Em 2025, a Câmara Municipal formalizou a incorporação do Carnaval Brasileiro de Rua no calendário da cidade.

    “O Carnaval Brasileiro de Rua já faz parte da nossa identidade”, disse o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, ao assinar o protocolo de cooperação com a Embaixada do Brasil em Portugal que formalizou a data.

    Feijoada na universidade

    Entre os brasileiros no país, 19 mil estão matriculados em instituições de Ensino Superior portuguesas, segundo o Ministério da Educação. A exportação de estudantes é facilitada pelo reconhecimento da nota do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) por 26 universidades de Portugal para o processo de ingresso.

    “Eu não tenho nenhuma turma onde não há estudantes brasileiros”, diz Pedro Góis.

    E segundo o sociólogo, todo esse intercâmbio traz muitos benefícios para Portugal. “As universidades usam o mercado brasileiro para exportar seu serviço sem sair de Portugal. E é uma estratégia vantajosa, porque o país recebe a mensalidade e os gastos desses estudantes com moradia, alimentação etc”, diz.

    Além disso, afirma, a presença dos imigrantes brasileiros obriga as instituições a rever seus métodos de ensino e sua exigência em torno das normas ortográficas do português europeu.

    “Nos obrigou a perceber que a variante da língua que falamos em Portugal é apenas isso, uma variante da língua portuguesa, e que todas as variantes devem ser aceitas.”

    E após o término dos estudos, muitos ex-alunos brasileiros continuam vivendo em terras lusitanas após conquistar o diploma, integrando a força de trabalho local.

    É o caso de Lara Goulart, 21 anos, que após se formar na Universidade do Algarve trabalha como gerente de mídia social em Faro.

    Em seus três anos em Portugal, a paranaense natural de Curitiba diz ter notado um crescimento ininterrupto da influência brasileira no país, especialmente entre os mais jovens.

    “Meus amigos e colegas de faculdade portugueses sabem mais sobre as celebridades brasileiras do que eu. Estão sempre por dentro do que acontece entre os influenciadores brasileiros e conhecem todas as músicas famosas”, relata.

    “Nas festas que vou em Faro só toca funk”, diz ainda.

    “Meus amigos e colegas de faculdade portugueses sabem mais sobre as celebridades brasileiras do que eu”, diz a brasileira Lara, de 21 anos — Foto: ARQUIVO PESSOAL

    A curitibana também repara que, cada vez mais, os portugueses com quem convive fazem comentários sobre a situação política do Brasil.

    “Eu sei que o meme da ‘Guiana brasileiro’ é só uma brincadeira, mas às vezes realmente parece que Portugal se tornou uma colônia do Brasil, porque eles sabem muito mais sobre a gente do que sabemos sobre eles”, afirma.

    Em seus anos como estudante de Ciências da Comunicação, Goulart fez parte da associação de estudantes brasileiros da sua universidade. Uma das ações da organização foi instaurar um cardápio típico brasileiro ao menos uma vez por mês no restaurante da instituição. “Até hoje, eles servem feijoada, moqueca, estrogonofe e outros pratos no dia a dia”, conta.

    Até nos tribunais

    O intercâmbio na área da educação pode crescer ainda mais. O Parlamento português debateu no final de 2024 a possibilidade de integrar professores formados no Brasil ao sistema de ensino local, como uma solução para a crescente falta de docentes em disciplinas específicas.

    A proposta dividiu opiniões, com os representantes do partido de direita radical Chega se posicionando contra o projeto. Mas em fevereiro deste ano, o primeiro-ministro Luís Montenegro, do Partido Social Democrata (PSD), disse que há interesse em recrutar docentes brasileiros e acelerar os processos de reconhecimento de diploma dos professores estrangeiros no país.

    A validação dos títulos profissionais obtidos no Brasil, aliás, é uma reivindicação de muitos imigrantes que vivem hoje em Portugal.

    Duas comunidades que foram bem sucedidas em ter sua demanda acolhida e hoje conquistaram seu lugar no mercado de trabalho lusitano são dentistas e advogados brasileiros.

    O fluxo migratório de dentistas aconteceu principalmente na década de 1990. Mas são os advogados que têm provocado uma mudança mais significativa na cultura local, diz Pedro Góis, da Universidade de Coimbra.

    Quase 10% dos membros votantes da Ordem dos Advogados Portugueses são brasileiros. Muitos deles conseguiram atuar em terras lusitanas graças a um convênio estabelecido entre a organização e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que permitia que profissionais inscritos em uma das entidades pudessem aderir à outra sem precisar realizar estágio ou provas.

    O acordo foi revogado em 2023, mas os advogados já inscritos ou que já tinham dado entrada em seu processo não foram afetados pela decisão.

    “Estes advogados trouxeram para Portugal uma cultura muito judicialista do Brasil, que agora começa a aparecer aqui”, diz o sociólogo português Pedro Góis, em referência à prática que leva questões de cunho político ou de responsabilidade de instituições públicas aos órgãos do Poder Judiciário.

    Colombina Clandestina é um bloco de carnaval organizado por migrantes brasileiros, em Lisboa — Foto: GETTY IMAGES

    Segundo o especialista, isso tem acontecido especialmente em processos envolvendo a AIMA (Agência para a Integração, Migrações e Asilo).

    “Quando os prazos para análise de casos de imigrantes que querem se regularizar não são cumpridos, muitos advogados entram com um processo para obrigar o cumprimento”, relata Góis.

    E apesar da judicialização ser criticada em muitas esferas do Direito, o sociólogo vê um lado positivo na prática importada do Brasil. “Isso obriga ao Estado a melhorar e a ser mais ágil na resposta”, opina.

    ‘Ameaça nacional’

    Mas nem todos em Portugal veem a influência da cultura, costumes e da variante linguística brasileiras como positivas.

    Apesar das brincadeiras sobre o tema nas redes sociais terem provocado reações divertidas de muitos portugueses, outros se mostraram ofendidos.

    “O meme Guiana Brasileira é um grande desrespeito ao povo português, aos seus 900 anos de história e àquilo que Portugal significa para o mundo. É uma verdadeira ameaça nacional e tem que ser mesmo encarada como uma ameaça nacional e a nossa existência e autonomia”, disse o influenciador Lucas Claro em um vídeo postado em sua página no TikTok.

    Em entrevista à BBC News Brasil, o português de 24 anos, natural da Margem Sul do Tejo, em Lisboa, disse entender que as postagens sobre “recolonização de Portugal” são uma forma do povo brasileiro se afirmar perante outros povos, mas reafirmou sua opinião de que se trata de uma “falta de respeito”.

    “E não condiz com a realidade”, diz ele. “A influência brasileira aqui em Portugal é limitada e muitos portugueses nem conhecem a cultura. Eu, por acaso, gosto do açaí, gosto do funk, mas há muitos portugueses que não gostam.”

    Sobre a influência da variante brasileira da língua portuguesa, Claro afirma também não perceber uma influência tão grande.

    O influenciador nota ainda que, com o crescimento da direita radical em Portugal e no mundo, memes como esse podem contribuir para a hostilidade contra os imigrantes no país. “Há portugueses que são fanáticos e eu acho que estes memes ativam uma discriminação que é má para os brasileiros que estão aqui”, diz.

    Memes criados por brasileiros apelidaram Portugal de “Guiana Brasileira” — e outros nomes criativos — para insinuar que o país lusitano é uma nova extensão do Brasil — Foto: Rede X

    Outros vídeos publicados nas redes sociais por portugueses também demostram que nem todos veem os memes como apenas piadas.

    “Cada um tem as suas culturas. Vocês fiquem com o Brasil de um lado do Atlântico que nós ficamos com Portugal do outro lado. Não se tentem convencer que um dia Portugal será brasileiro”, disse Bruno, outro usuário, no TikTok.

    Páginas como a Resistência Lusitana, que criticam a “brasileirização de Portugal”, também não são incomuns.

    Geralmente, esses mesmos perfis também compartilham vídeos e textos em apoio a políticas anti-imigração e, por vezes, conteúdos xenofóbicos.

    O perfil Identidade e Futuro, que tem cerca de 8 mil seguidores no Facebook, faz postagens em defesa da “reimigração”, como os grupos de direita radical chamam a expulsão ou o retorno forçado de imigrantes aos seus países de origem.

    A página listou em um post recente as “consequências de se estar a transformar Portugal num novo Brasil”. Segundo os autores, a influência brasileira tem produzido aumento da criminalidade, perda de postos de trabalho pelos portugueses, foco do Estado nos imigrantes e uso incorreto da língua portuguesa.

    O discurso anti-imigração no país também impulsiona os casos de agressão. Entre 2017 e 2021, as denúncias de xenofobia contra brasileiros em Portugal cresceram 505%, segundo balanço da Comissão para a Igualdade e contra a Discriminação Racial do país.

    O paulista Matheus da Silva diz ser alvo frequente de comentários preconceituosos feitos por portugueses em suas redes sociais. Recentemente, também foi vítima de um ataque verbal nas ruas de sua cidade.

    “Volta para a sua terra, aqui não é o seu lugar”, relatou ter ouvido de um homem português durante um breve desentendimento no trânsito.

    A BBC News Brasil procurou as páginas Resistência Lusitana e Identidade e Futuro, para entrevista, mas não obteve resposta até o fechamento desta reportagem.

    Ressentimento x dificuldade de confrontar o passado

    Para a historiadora e professora da Universidade de Oklahoma Patricia Martins, há entre a sociedade portuguesa uma visão idealizada do imperialismo português, além da ausência de uma revisão crítica sobre o período colonial, especialmente no ensino básico.

    Isso, diz a portuguesa especialista em história colonial e raça, pode ajudar a explicar a forma como alguns portugueses reagiram aos memes nas redes sociais.

    “Portugal ainda carrega muitas feridas abertas difíceis de confrontar do Império, ao mesmo tempo em que há uma necessidade entre os portugueses de silenciar ou de não querer olhar para o colonialismo”, afirma.

    Para a pesquisadora, já há no Brasil uma discussão avançada sobre o passado como colônia e o racismo fruto dessa exploração e da escravidão, enquanto em Portugal esse debate ainda é muito incipiente.

    Ainda segundo Martins, o movimento de resistência à imigração e à presença brasileira em Portugal acompanha o fenômeno do avanço da direita radical na Europa e no mundo.

    “A extrema-direita tem muita capacidade de cooptar as redes sociais e, com o seu crescimento, há também o crescimento de uma certa ansiedade nacionalista e pânico moral”, diz a portuguesa.

    “E em Portugal essa ansiedade passa pela comunidade brasileira, mas também — e às vezes até mais — por outras comunidades imigrantes que estão a crescer.”

    Adriana Capuano, socióloga e professora da Universidade Federal do ABC (UFABC), também vê uma conexão entre os fenômenos. Segundo a pesquisadora da migração internacional, é comum que grandes ondas migratórias criem tensão entre culturas.

    E as piadas e memes criados por brasileiros nas redes sociais podem acirrar ainda mais as questões mal resolvidas, diz Capuano.

    “Os memes ferem não somente a ideia de nação portuguesa, mas toca sobretudo na melancolia ou ressentimento que parece haver em Portugal em relação ao passado do país como potência mundial”, opina.

    Ainda segundo a socióloga, pode haver uma dificuldade, especialmente entre os portugueses mais velhos, de compreender a “jocosidade” das redes sociais.

    Gravura mostra família de colonizadores portugueses no Brasil, por volta de 1820 — Foto: GETTY IMAGES

    Por outro lado, diz a estudiosa brasileira, o comportamentos dos usuários brasileiros parece ter como plano de fundo um ressentimento em relação ao passado e à colonização por Portugal — e também aos casos de xenofobia vividos pelos imigrantes.

    “Além do ressentimento pela colonização, há um sentimento de revanche muito contemporâneo de quem está vivendo em Portugal e se vê no dia a dia subjugado a algumas situações desconfortáveis”, diz Adriana Capuano.

    “A brincadeira é uma forma de escape”, resume.

    Já o professor Pedro Góis, da Universidade de Coimbra, afirma que apesar da crescente influência em diversos setores da sociedade lusitana, a ideia de uma “brasileirização de Portugal” é um exagero.

    “É uma mistura natural que está a acontecer. Não é uma invasão”, diz. “E está longe de ser uma colonização, é mais uma partilha.”

    O sociólogo também minimiza os efeitos das piadas na internet. “Os memes fazem parte desse processo de contato entre as duas culturas e não vejo como algo de todo negativo ou que possa colocar em risco as relações luso-brasileiras.”

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